Um cara com quem eu saia pra farra de vez em quando em Santa Cruz (indicado abaixo como
!) tá sendo acusado de participação em um homicídio. Oh, a vida humana! Oh, que horror! Oh, fezes!
Segue o e-mail que recebí contando a história, mas não vou dar nome aos bois:
"Vez em quando vocês me perguntam "Quais são as novas de Santa Cruz(...)?". Minha resposta mais comum é "Nada
interessante". Mas não desta vez.
Fui jogar basquete neste último fim de semana com o pessoal que se formou um ano depois da gente (...) e eles me contaram que o !, vocês devem se lembrar dele, tava aguardando julgamento em liberdade como réu primário em um caso de assassinato, como cúmplice por dirigir o carro enquanto um amigo dele atirou em outro cara.
Segundo a Gazeta, o ! (sim, ! é o sobrenome dele, não o apelido) e ?, foram de carro até o bairro Bom Jesus no final da noite de sábado, e lá foram assaltados. Os ladrões levaram documentos e um celular, e afirmaram que só devolveriam o material mediante pagamento de um resgate, marcando hora e local para receber. Os dois voltaram para o centro e foram num baile de formatura. Depois da festa, no domingo de manhã, retornaram para o Bom Jesus, mas dessa vez com uma arma. Na esquina marcada encontraram com X (sem passagem pela polícia, estava servindo como "laranja", intermediador entre os assaltantes e as vítimas) em quem ? atirou 3 vezes, acertando 1, enquanto ! dirigia.
A Gazeta tentou dar uma ênfase na questão de que os dois não eram pobres, de famílias que vão bem financeiramente, que não é só pobre que é delinqüente...; que eu reprovo por completo.
Resumindo, no próprio domingo, o ! e o amigo dele se apresentaram na delegacia assumindo a autoria do homicídio, mas ? alegou que atirou num ato de reflexo, pois viu um movimento brusco por parte da vítima dando a entender que esta estava portando uma arma e atirou por reflexo, portanto tendo agido o em legítima defesa.
(...)
Sei lá, do que eu conheço do !, eu não o condenaria, porque ele sempre me pareceu um cara legal, bacana mesmo e correto. Mas ele tem esse lado "pelos meus amigos, faço qualquer coisa" e também "não fujo da briga". Lembram daquela vez em que ele bateu no Ramiro "Tijolada", que ninguém gostava? Ele tinha recém entrado no colégio e já tinha virado herói por aquilo
(...)"
Mas aí eu me pergunto: Será que naquelas circunstâncias eu não faria EXATAMENTE a mesma coisa?????
Eu sei que nunca serei traficante, nunca serei estelionatário ou ladrão. Mas não sei, sinceramente, se nunca irei matar alguém, em certas circunstâncias.
Várias vezes catei o facão ou o porrete quando ouví barulhos no pátio de madrugada, e se tivesse alguém lá, ou ele iria embora ou alguém acabaria morto. Por sorte, se alguma vez esteve alguém desautorizado lá - e eu acredito que já esteve - foi embora antes de qualquer chance de conflito direto.
Nesse momento, antes de saber exatamente como as coisas ocorreram, apóio totalmente a atitude do motorista, que era o cara que eu conhecia.